Legião Urbana XXX anos e sempre




Eu tava olhando as fotos do meu Instagram. Tinha batido aquela insegurança por talvez não ter mostrado o suficiente o quanto eu gosto e vivo determinada coisa. Das humildes setenta e duas fotos que eu havia postado, dez faziam referência à Legião (e eu nunca tinha parado para perceber). Mas eu não nutria a necessidade de me mostrar a alguém. A vontade era a grande questão.

“Seja sua própria pessoa”, foi o que eu li num daqueles livros que tentam descrever alguém através de suas falas, entrevistas, posicionamentos. Renato Russo de A a Z! Lá vem Renato falar de fãs. Que ninguém se anule. Mas isso é tão óbvio. Se eu me anular eu anulo a Legião, são universos complementares, é um negócio totalmente espiritual. Tudo muito intrínseco.

Queria organizar, há muito tempo, um pensamento muito diverso sobre essas relações. Enxergar a si mesmo no que pessoas de verdade fizeram, ver a essência daquilo no que você faz, aonde você vai, nos seus relacionamentos é uma constatação muito forte. E numa conversa, vários dias depois do show, alguém se enxergou em mim e eu pude ler de forma clara o significado de tudo. Conhecer, ver, perceber um ídolo (se é que essa é a forma mais apropriada pra eu me referir a eles) é ter a chance de reconhecer o que essas pessoas fizeram, como fizeram e a energia que têm. Tudo o que forjou, junto contigo, a tua vida. É cair em si. É uma experiência que muda a vida de uma forma extremamente significativa. É autoconhecimento. Tudo o que importa!

A parte relativamente prática disso tudo é de que eu vi a oportunidade de viver tudo o que eu descrevi aí em cima. Surgiu uma promoção na página do show de Legião Urbana XXX anos aqui em Recife e tia Paula deu todo aquele incentivo. Coloquei algumas coisas no bolso, mandei um vídeo cantando ‘Soldados’ (essa música significa demais e eu poderia colocar o meu vídeo cantando aqui, mas: não, hehehe) e fiquei entre os cinco grandes fãs finalistas dos quais os dois mais votados ganhariam uma camisa sensacional autografada pelos maiores Dado e Bonfas e conheceriam a banda. Adivinha?! Uma galera (até pessoas com quem eu não tinha tanto contato) se empenhou tanto pra que eu conseguisse alcançar esse acontecimento, que a partir daí eu enxerguei o quanto tudo isso, desde o início, era grandioso, mesmo que só pra mim. Eu consegui, talvez nós!

Veio o dia vinte e sete de maio e cadê a consciência do que ia acontecer?! Conheci Polly, que me guiou de forma tão leve até os caras. Ia chegando a minha vez de entrar no espaço em que eles estavam e eu fui alimentando uma sensação de “estou morta por dentro”, tudo o que eu “planejava” fazer ou falar foi se esvaindo. Cheguei a dar uma olhada e percebi que Bonfá não estava (uma incompleta experiência incrível). Eram três: Mauro, Dado e André. Já me perguntaram tantas vezes como foi lá dentro, o que aconteceu, o que eu falei, o que eles falaram...as imagens se misturam aqui dentro e eu não lembro claramente de: nada! Eu disse a alguém que foi como ver uma das minhas representações ali. E tem a parte da carta de amor ridícula, mas, né?!, não seria uma carta de amor se não fosse ridícula. E ser ridículo é o grande modo de conduzir a vida. E eu entreguei uma carta a Dado (a muito custo), escrita nas pressas antes de sair de casa, a lápis e toda incompleta, mas era uma carta de amor. Não deixou de ser.


(Mauro, eu, Dado e André)

Saí de lá sem fazer sentido, sem dizer tchau, sem desejar ao menos um show foda! (mas eu acredito muito em energias e que elas não precisam ser colocadas através de palavras) até perguntar a uma das produtoras onde era a saída (só havia uma porta e eu sabia que era por lá, mas organizando as ideias lembrei que tinha esquecido tudo). Ela foi tão simpática, falou onde sairiam as fotos, com um sorriso bem largo, não notou muito bem a minha urgência. Cheguei do lado de fora e abracei mainha. Coloquei tudo pra fora. Toda aquela intensidade saiu num choro. Já diziam os grandes carinhas do Coldplay: every teardrop is a waterfall (toquem os discos velhos!). Que momento! Os grandes fãs do modo Legião Urbana, minha família, do meu lado, construindo aquela aura que ficou impregnada na minha camisa de Joy Division.

O show foi foda pra caralho! E os sentidos atinaram pra tudo quando acabou. Fiquei sem querer ouvir Legião por alguns dias. Ficar deprimido depois de algum show: quem nunca?

Mas sem condições.

Eu tinha que olhar pra mim de novo.

Desejo descobertas e reconhecimentos nesse nível pra todos os incríveis e comuns habitantes desse universo!


  (você também, eu sei!)


Respondam às pessoas. Anotem telefones e calculem ascendentes à vontade <3 

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