12 setembro 2016

Riding Song

Lidar com o tempo. Primeira tarefa de todo mundo. Que nunca termina.

Alguns têm uma desenvoltura invejável nesse quesito. São admiráveis. E raros. Outros têm uma relação mais real, inquieta, problemática e quase insana. A maioria, diria. Há os que sabem fingir direitinho que não estão ligando muito, mas o tempo fala demais e pergunta demais e são poucos os que permanecem sãos diante dele.

A gente tem um amor instável. Desde sempre. No início era bem despretensioso, mais tranquilo, não dava pra perceber direito ele sempre me observando, a não ser quando chegavam os aniversários e a hora de dar tchau aos primos e entrar em casa.

Nesses humildes dezenove anos conheci muitas faces desagradáveis do tempo, que se infiltra em tudo o quanto é coisa. E tudo dependeu das escolhas que eu "fiz".

O ritmo dos acontecimentos vai mudando. Tá ficando alucinante.

Ficou mais complicado quando entrei na universidade. Sentimentos acentuados, do tipo: eu não tenho tempo de vida o suficiente pra ler todos os livros que quero, ouvir todos os discos, ver todos os filmes, conhecer todas as pessoas. São misturados a responsabilidade que a vida acadêmica demanda e os questionamentos pessoais mais intrínsecos.

O conceito de escolha fica muito claro e causa um medo mais intenso até. Um tempo curto pra grandes escolhas.

Indecisão gosta muito de andar comigo e a pressão de ter que escolher determinada disciplina com base no professor, nos conteúdos, no horário, na turma...São fatores extremamente determinantes. Na verdade, os menores atos nossos são. Mas tá bom, se não vira bagunça.

Não deve existir um modo definido de ajeitar tudo. Mas acho que quando se faz uma coisa que transparece quem somos e o que pretendemos os problemas ficam mais maleáveis.

Tentar parar de ficar contando os minutos que têm pra dormir até acordar, parar de pensar que deveria estar fazendo outra coisa (e só pensar e se culpar, porque: procrastinação bate e fica).

Responder a perguntas isoladas como "é o que você quer?" não resolve muita coisa. Porque a gente vive em cima de retalhos (às vezes bem presos uns aos outros e às vezes não) e considerar um aspecto da vida isolado não vai funcionar. Só que isso é complicado e fica pra outra hora.

Tenho problemas em dar soluções.

Cuida bem do teu tempo.


(Oi! Eu sou Maria Catharina e não escrevo músicas, nem canto. Nasci no dia 6 de março, eu tenho 19 anos. Sou de peixes e ascendente em capricórnio, embora não concorde. Sempre quis fazer tudo e nada ao mesmo tempo. Mas só que, de repente, ser professora de literatura era uma coisa que parecia joia pra mim. E como tá dando mais ou menos certo, eu continuo tentando fazer isso até hoje.
Não sei se amanhã meu lance vai ser mexer com música. 
Não sei o que eu vou ser quando crescer.)


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